Os sagus do Rio Grande

Este titulo é uma homenagem a um amigo, que há muitos anos vem provando os pastéis de todas as rodoviárias por onde passa, para então um dia escrever o livro que deverá ser intitulado “Os pastéis do Rio Grande”.

O que é o sagu. Os jovens de hoje são facilmente enganados com a questão sobre o nome da árvore que dá o sagu. A nossa enciclopédia rápida Wikipédia relata que é a farinha extraída de palmeiras como a Metroxylon sagu e a Cycas revoluta, servindo de base na alimentação na China, Coréias, Japão, Taiwan e outros países do Extremo Oriente. Mas o nosso sagu, aquelas pequenas pérolas brancas são feitas mesmo do amido da mandioca.

Ao contrário de muita gente adoro sagu, em todos os restaurantes que vou, provo o sagu. Desde o tradicional com vinho até outros sabores mais raros com leite, com laranja e até mesmo o famigerado sagu com “Qsuco”.  Também contrariando a maioria das pessoas gosto do sagu puro, sem creme ou leite condensado, para sentir o puro sabor do sagu.

O sagu “aguadinho”, é aquele que sempre pinga ou na mesa ou no peito do indivíduo, é uma delícia, principalmente quando é bem doce.

O sagu “seco” feito no dia anterior, como ficou a noite na geladeira hidrata e dobra de tamanho, é meio viscoso, as vezes cai da colher, é uma sobremesa para aventureiros.

O sagu de “borracho” é aquele carregado no vinho, que tem gente que sempre repete, o perigo é depois pegar a estrada e ser pego no bafômetro. Eheh… brincadeira.

O sagu de “abstêmio” é o próprio; feito com groselha, “Qsuco”, “Tang” etc. Estes só são consumidos por verdadeiros aficionados do sagu como eu. É a sobremesa que sempre sobra nos restaurantes de beira de estrada.

O sagu “malfeito” é aquele que pouca gente se anima a provar, ainda está branquinho no centro e o molho é aquele que pinga nas calças do comensal.

O sagu com “sorvete” especialidade da Sociedade Italiana de Bagé, é algo indescritível, carregado no vinho, servido ainda quente, numa taça, com uma generosa bola de sorvete de creme no centro. Realmente é uma imagem e um sabor inesquecível.

Sagu com “leite”, especialidade da minha Dinda, sobremesa inesquecível, essa sim, como com bastante canela em pó.

O sagu com “laranja” é uma sobremesa agridoce, delícia, nem sempre compreendida por todo mundo.

O sagu “fantástico”, é o meu. Que por mais incrível que pareça aprendi com a minha sogra, que nunca conseguiu reproduzir igual.

Aí vai a receita.

Inicia com a fervura de uma panela d’água. Em seguida coloca-se a quantidade desejada de sagu. Logo que novamente levanta fervura, pode-se desligar o fogo. Na sequencia o sagu vai para um coador de massa e remove-se todo o amido excedente com água fria diretamente da torneira. Em seguida o sagu numa travessa juntamente com o mesmo volume de água fria vai para a geladeira durante a noite. No dia seguinte, coloca-se para ferver numa panela o vinho “saguzeiro”, açúcar a gosto e o sagu já hidratado. Convém homogeneizar bem o sagu com a água que restou e se for pouca podemos até acrescentar mais. A quantidade de água é o segredo e o sucesso da receita que se apronta agora rapidamente.

Essa delícia é servida fria, com ou sem molho conforme o gosto do consumidor.

Espero que esse conto mantenha viva a boa imagem do sagu como a sobremesa mais comum nos restaurantes que servem comida por peso no nosso Brasil.

3 comentários em “Os sagus do Rio Grande

  1. Ferrugem, parabéns pelos teus textos. Revelam a sensibilidade do ser humano que existe por dentro do pesquisador e colega. Gostei da leitura! Abraço!

  2. Difícil encontrar um verdadeiro
    apreciador de sagus. Admiro ler um
    texto de uma classe rara em nossa sociedade, e, infelizmente,
    em extinção. Afinal, curtir um sagu “aguadinho”
    ou feito com “Qsuco” não é para qualquer um.

    Já eu sou muito grato de um dia ter provado o sagu fantástico.

    Abraços e sorte nessa jornada com o
    nosso querido sagu do rio grande.

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