Uma história triste…

1987, resolvi me associar em um Clube em Bagé. Um amigo deixava a cidade, e, me ofereceu seu título patrimonial do Cantegril Club de Bagé. A diretoria deliberou pela minha inclusão como sócio, recebi meu título, que guardei com orgulho. Eu apenas frequentava o Clube em alguns finais de semana para matear na sombra e curtir a brisa do cerro de Bagé, meus filhos adoravam a piscina. Eventualmente participávamos de jantares dançantes e outras atividades sociais.

1995, já com mais de quarenta anos resolvi aprender a jogar tênis, comprei minha primeira raquete e me tornei um assíduo frequentador. Os iniciantes, denominados “Emergentes”, pelo nosso saudoso Edmundo Rodrigues, tinham um interessante desafio para continuar jogando tênis no Cantegril. Nas tardes de sábado, com tempo bom, sempre havia parceiros para um joguinho de simples ou de dupla, antes de uma cervejinha gelada à beira piscina, quando se jogava conversa fora ou escutava estórias divertidas. Aos domingos o churrasquinho familiar podia ser no Clube era só combinar e o lazer do final de semana estava garantido. O Clube era lindo, bem cuidado, aprazível, as quadras de tênis e de futebol estavam sempre preparadas para os sócios. Todos sabíamos que dificuldades financeiras se aproximavam, o tempo passou, novas formas de lazer foram oferecidas à comunidade, novos sócios foram incorporados e muitos daqueles parceiros das tardes de sábado, nos deixaram ou simplesmente deixaram de frequentar o Clube.

2012, convidei meu filho para jogar tênis no Cantegril. Numa manhã de sábado maravilhosa do mês de outubro, nos deparamos com uma chocante realidade. O Clube aberto, vazio e com a grama por cortar. As quadras de tênis em estado de conservação deprimente. Enquanto jogávamos, me vinha à lembrança aquelas quadras cuidadas, sempre cheias, quando tínhamos que esperar para jogar ou usar a de asfalto, preterida pela maioria.

Vamos ficar apenas com as boas lembranças do passado? Em consideração as pessoas que doaram bens e/ou seu tempo devemos fazer algo. Não podemos deixar o Cantegril virar um Clube fantasma.O Clube é um patrimônio de parte da comunidade Bajeense que não pode simplesmente deixar de existir.