Na história da humanidade a crueldade, o esporte e o dinheiro sempre foram instrumentos de manipulação e poder, que acabam resultando em abuso, exploração e sofrimento de animais e até de outros homens. Nos dias de hoje notícias do sul do Brasil “Cachorros galgos são usados para corridas e são vítimas de maus tratos e abandono” e da Austrália “2020 – 116 cavalos mortos – 1 a cada 3,2 dias” sempre motivam reações da opinião pública, independente da cultura local.
Estamos frente a um tema sensível, complexo e multifacetado que eventualmente retorna à opinião pública, desencadeando verdadeiras tempestades de palpites e posicionamentos controversos e antagônicos. De um lado com as justificativas dos aficionados edos que se beneficiam economicamente com esses esportes e, de outro, os argumentos dos que abominam esses esportes por princípios e pelos supostos maus tratos para com os animais.
Este texto inclui uma breve revisão na bibliografia científica e em artigos de divulgação com o objetivo de promover alguma reflexão e racionalização sobre as corridas de Galgos.
O que se encontra na literatura
Revisando sobre “Greyhound racing” na ScienceDirect (www.sciencedirect.com) são encontrados 792 artigos publicados sobre o tema, sendo 66 nos últimos três anos. Encontram-se inúmeros artigos sobre problemas clínicos, patologias diversas e verminose em cães, principalmente nos Galgos. O outro tema prevalente é quanto ao bem-estar dos cães, onde se destaca a revisão de Polgár et al. (2019) sobre o bem-estar de cães mantidos em canis. O foco principal do estudo é que grandes populações de cães são mantidas em canis durante boa parte de sua vida, o que, dependendo dos padrões destes canis, pode afetar sua condição de bem-estar. Os ramos do conhecimento mais estudados incluem a fisiologia e o comportamento animal. No primeiro destacam-se tópicos como o estresse e cortisol, avaliações cardíacas, temperatura corporal e ainda resposta imune. Nos aspectos comportamentais os principais estudos se concentram em investigações sobre o medo, ansiedade, alterações cognitivas e habilidade de aprendizado.
Usando o filtro de relevância, destaca-se no Reino Unido um estudo post-mortem em 74 Galgos que apresentaram morte súbita, no qual os autores identificam associação entre hemorragia abdominal e traumatismo do músculo iliopsoas (Morey-Matamalas et al., 2020). Já na Australia, o estudo mais recente é sobre a prevenção de comportamento agressivo em cães Galgos adotados após sua retirada da indústria das corridas (Howell & Bennett, 2020). O que também já fora escopo de um levantamento efetuado na Itália sobre a manifestação de comportamento indesejado dos cães após sua adoção (Howell et al., 2018).
No PUBMED (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov) aparecem 266 publicações para as palavras-chave “Greyhound Racing” entre 1946 e 2020, sendo em média 5 por ano e com tendência de crescimento. O artigo mais recente trata de um estudo sobre o trajeto das pistas de corridas, concluindo que curvas clotóides (Espirais de Cornu) melhoram a dinâmica, a segurança e reduzem a ocorrência de lesões nos cães (Hossain et al., 2020). O segundo estudo na dimensão temporal foi publicado por Palmer et al. (2020) sobre as características das corridas e a vida útil dos Galgos de corrida na Nova Zelândia. Esses autores reiteram que o tema é sensível, indicando a preocupação com a melhoria das condições de bem-estar e o momento do descarte dos cães. Nas análises efetuadas em bancos de dados entre 2013 e 2016 foram anotadas 22.277 corridas, incluindo 2393 cães. Nesse conjunto de dados foi observada uma mediana de. 7 dias para o intervalo entre corridas, com uma amplitude entre quartis (IQR) de 4-10 dias. Já a duração da vida desportiva dos cães foi de 424 dias (IQR: 206-647), concluindo que cães de habilidades similares tinham duração similar da sua vida útil nas corridas.
Os Galgos e as corridas
Surfando na Internet aprende-se que uma corrida de Galgos é uma modalidade de esporte em que cães correm em pistas circulares ou ovais atrás de uma isca em movimento e que os espectadores apostam nos resultados. Na verdade não são quaisquer cães que participam dessas corridas. São cães reconhecidamente dessa raça, identificados, com treinamento, habilidades e fenótipos específicos para participarem das corridas.
Os Galgos (Greyhounds em inglês) são cães dóceis e humildes, que certamente preferem cochilar num tapete ou num canto de um galpão, à correr. Entretanto, os Galgos têm forte instinto de captura de presas que pode ser estimulado. Numa corrida os donos/treinadores colocam os cães no partidor e depois liberam a isca, um coelho mecânico. Os cães seguem a isca na pista, ou seja, atendem seu instinto de caçar sua presa. Até ai não teríamos muita crueldade, pois o procedimento é similar às corridas de cavalos, até com o atenuante que os cães não apanham enquanto perseguem a isca mecânica.
Existem informações sobre o uso em épocas pregressas de iscas vivas, tendo sido relatado o uso de coelhos, porcos, cordeiros e galináceos (O’brien & Jacks, 2015 – https://www.theage.com.au/national/victoria/rabbits-among-live-animals-allegedly-used-as-bait-in-greyhound-racing-20150214-13et3y.html.), embora proibido, foi observado o uso ilegal de iscas vivas, ainda em 2015, em alguns locais na Australia. Nesses casos específicos os treinadores e proprietários foram responsabilizados e as pistas fechadas.
A partir do momento que os cães passam a ser vistos como uma fonte de renda, e, que, mesmo sem saber correm por suas vidas, as corridas tornam-se cruéis. Apenas os cães rápidos são mantidos nas pistas porque geram ganhos. Os lentos ou os que se machucam são sacrificados, muitas vezes sem os cuidados preconizados pela medicina veterinária. Os mais rápidos, ganhadores de muitas corridas, também podem não ter uma vida lá muito fácil, pois geralmente são mantidos em canis com pouco exercício e atenção entre as corridas. O negócio das corridas de Galgos é o que se poderia chamar de uma loteria genética na busca do cão mais rápido. Um negócio sem muitas regras, com incentivo para que os mais rápidos deixem maior número de filhos. Um levantamento em Victoria na Australia indicou que nasciam anualmente naquele Estado cerca de 7.500 Galgos, mas que apenas 1.000 alcançavam uma vida normal (https://reporter.anu.edu.au/informing-greyhound-debate). Esses dados reiteram o fato de que a maioria é sacrificada por baixa performance, lesões após as corridas e descarte após suas curtas carreiras no esporte que duram entre 3 e 5 anos.
Na Wikipedia se encontra a informação que na maioria dos locais essas corridas tem caráter amador e ocorrem apenas por diversão (https://en.wikipedia.org/wiki/Greyhound_racing). Presentemente o registro é de que essas corridas são oficializadas como jogo apenas na Australia, Republica da Irlanda, Macau, México, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. Entretanto, na internet existem diversos sites de apostas em corridas de Galgos, movimentando desconhecido volume de dinheiro. Principalmente em função deste aspecto, as ações já desencadeadas para proibir esse esporte nem sempre tem muito sucesso. Assim, as alternativas têm sido relativas ao atendimento de normas de bem-estar animal e estímulo à criação de organizações com a finalidade de promover a adoção dos cães após sua aposentadoria como “atletas”, independentemente do motivo e ainda promover assistência adequada aos mesmos.
Bem-estar animal
Segundo o entendimento do Conselho Federal de Medicina Veterinária “o bem-estar de um indivíduo é o seu estado em relação às suas tentativas de se adaptar a seu ambiente”, para a Sociedade Americana de Medicina Veterinária significa que um animal está em homeostasia com as condições em que vive. Um animal em adequadas condições de bem-estar é saudável, confortável, bem-nutrido, seguro, tem condições de expressar seus instintos, não sofre dor, medo ou estresse. Um satisfatório estado de bem-estar requer planos de prevenção de doenças e seus tratamentos, adequadas condições de abrigo, manejo, nutrição, cuidados e de sacrifício dos animais, se for o caso. De forma simplificada o reconhecimento das condições de bem-estar pode ser feito pela presença das “Cinco Liberdades”: livre de fome e sede; livre de dor e doença; livre de desconforto; livre para expressar seu comportamento natural; e, livre de medo e estresse.
Uma outra interessante definição de bem-estar animal foi apresentada por Spruijt et al. (2001), que consideraram como o balanço entre experiências ou estados afetivos positivos (recompensas, carinho) e negativos (estresse). Este estado afetivo pode ser temporário, variando de positivo (boas condições de bem-estar) à negativo (pobres condições de bem-estar) de acordo com as condições do ambiente, trazendo o conceito humano de economia entre o almejado e o oferecido.
A “Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals” (RSPCA) é uma associação existente no Reino Unido e Australia, cuja finalidade é promover o bem-estar dos animais. Para a RSPCA aspectos importantes e desafiadores quanto ao bem-estar nas corridas de Galgos dizem respeito ao controle populacional, alta incidência de lesões, cansaço físico, canis inadequados, falta de socialização, treinamento, uso de iscas vivas ilegais, administração de substâncias proibidas, exportação de cães e destino indesejado, quanto ao descarte ou mesmo eutanásia (https://kb.rspca.org.au/knowledge-base/what-are-the-animal-welfare-issues-with-greyhound-racing/). Na Australia, milhares de Galgos nascem anualmente, sendo que cerca de 40% não recebem registro e nem são utilizados em corridas. Os animais enquadrados nessa classe caracterizam um descarte prévio à pistas. O descarte continua com os cães que deixam as pistas por baixo desempenho ou lesões. Ainda uma terceira etapa de descarte ocorre com os cães que não são eleitos para a reprodução, que podem ser adotados ou sacrificados. Segundo os dados da RSPCA Australiana milhares de cães saudáveis são submetidos anualmente à eutanásia. Um outro aspecto técnico conflitante no controle populacional e taxa de descarte é o uso de inseminação artificial, que pode promover ainda maiores taxas de descarte de cães. Esse procedimento, quando cirúrgico é invasivo e requer anestesia geral das cadelas, tendo sido proibido em alguns Países da Comunidade Européia (Is surgical artificial insemination still being offered? Vet Rec. 2020 Feb 8;186(5):141. doi: 10.1136/vr.m487. PMID: 32029656; Mason, 2018).
Entre os tópicos que afetam as condições de bem-estar merece destaque a administração de drogas proibidas no intuito de aumentar a performance dos cães durante as corridas. Existem listas de drogas proibidas e testes para sua identificação. Essas drogas podem determinar sérios efeitos físicos e psicológicos nos animais. Entre as principais drogas identificadas temos anfetaminas, metanfetaminas, cafeína, esteróides anabolizantes, Viagra, cocaína e até eritropoietina.
A RSPCA ainda considera importante o comércio internacional de cães Galgos para corridas. Esses animais são comercializados continuadamente da Austrália para diversos países, tais como China e Vietnam. Em muitos casos esses animais são endereçados a grandes distâncias, sem garantias de boas condições no transporte e proteção no destino, inclusive o que já determinou alguns casos de suspensão de exportações.
Posicionamentos e controvérsias
O posicionamento da maioria das entidades de classe e dos organismos governamentais são semelhantes ao emitido pela Sociedade de Veterinária do Estado do Rio Grande do Sul, condenando a ocorrência de atos que atentem contra o bem-estar animal e que os mesmos devem ser investigados e os responsáveis identificados.
No Reino Unido, a regulamentação das práticas de bem-estar nas corridas de Galgos data de 2010, mas apenas em 2016 foram normatizadas e os seus custos estabelecidos. De forma resumida, os padrões mínimos estabelecidos, foram que a responsabilidade de onde ocorrem as corridas é da autoridade local. Todas as corridas devem ter um veterinário presente, cada cão deve ser avaliado antes de cada corrida e caso seja considerado inapto não pode correr, devem ser fornecidas boas condições de trabalho ao veterinário, devem ser proporcionadas condições de conforto para os cães antes das corridas, apenas podem correr animais identificados com microchipe, tatuados e registrados no banco de dados nacional, no qual devem ser mantidos os dados de cada cão em cada pista e os casos de lesões. Essas normas não incluíam as condições dos criatórios, das práticas dos treinadores e nem do transporte, descarte e eutanásia de cães. Mas foram consideradas satisfatórias uma vez que pelo menos consideravam os aspectos relativos às pistas (Racing greyhound regulations “successful” but still needed, says Defra. (2016). Veterinary Record, 179(12), 294–295. doi:10.1136/vr.i5022 (Vet Rec 179)).
Revisitando o material publicado e os diversos aspectos sem consenso e de foro pessoal sobre as corridas de Galgos, não se pode deixar de registrar a semelhança do que se passa com os cavalos. Sejam estes de corridas, ou mesmo de trabalho nas periferias das cidades quando não podem mais trabalhar. A alternativa de venda dos animais lesionados ou descartados para frigoríficos, com vistas a futuro consumo humano parece ser menos dramática e mais aceita pela opinião pública do que a simples eutanásia dos cães.
No Brasil, a venda de carne equina ainda é permitida por lei, mas a quantidade consumida é pequena. O negócio está fundamentado em exportações, principalmente para o Japão, Holanda, Bélgica e outros países europeus. O mercado externo procura carne desossada, congelada e vísceras, e, o interno absorve subprodutos tais como couros, ossos e crinas.
No caso específico das reportagens e posicionamentos sobre as corridas de Galgos em Bagé, em manifestações posteriores surgem informações de que os cães que participam das corridas são identificados (microchipados), que veterinários envolvidos nunca se depararam com sinais evidentes de maus tratos e que as condições mínimas de bem-estar são atendidas. E ainda, o relato de um observador, que muitos criadores/treinadores não usufruem de uma melhor qualidade de vida em função das despesas com cuidados para com os seus cães.
Mitigação
Mitigar significa intervir para reduzir ou remediar impactos nocivos de algum tipo de atividade humana, ou suavizar os efeitos de um dado evento. Neste contexto, fico imaginando como podemos racionalizar nossa relação com os animais, enquanto “evoluímos”, ou não; como sobreviventes num planeta com múltiplas culturas, instituições, crenças e seus “achômetros”. Aparentemente a forma mais simples e justa é a de aprender a respeitar a opinião dos demais sem acusações, sem polêmicas e sem a necessidade de réplicas para a imposição das verdades de cada um. Como complemento gostaria de trazer para reflexão duas frases de um saudoso amigo Antonio Carlos Pradel Azevedo: – A verdade é minha mentira mais atual; e, – Ser ético não significa apenas não pisar nos pés dos outros, mas, também, não deixar pisar no meu pé. Não sei de onde ele retirou essas frases, mas, ambas contém ensinamentos interessantes sobre posicionamento e argumentação, lembrando que cada um deve fazer aquilo que está ao seu alcance sem causar prejuízos aos demais. Isto, considerando, que a verdade de cada um deriva do entendimento de nosso conjunto de percepções, experiências, nível intelectual e cultural.
Trago para reflexão um exemplo pessoal. No meu escritório conservo um quadro pintado pela minha mãe. Esse quadro retrata os dois melhores amigos da minha infância e adolescência: meu cavalo tostado “Apache” e meu cachorro “Pelé”. Esses dois animais foram importante estímulo para me tornar veterinário e, também, motivo de muitas lágrimas secretas na nossa separação. Quando comecei essa tarefa de me informar sobre o assunto das corridas de Galgos descobri que o grande mote para a minha já próxima aposentadoria será manter com as melhores condições possíveis, alguns cavalos e cães também “aposentados”. Certamente isso vai me proporcionar enorme prazer, contribuindo para aguçar boas lembranças da minha infância.
Conclusões e considerações
As principais conclusões e considerações extraídas do material revisado estão listadas abaixo. Evidentemente não esgotam o assunto, apenas tentam contribuir na percepção e julgamento do tema.
- Existe preocupação da comunidade científica em estudar lesões, patologias e sua etiologia em cães Galgos ao redor do mundo;
- Os estudos mais recentes estão se concentrando em aspectos cognitivos, psicológicos e comportamentais desses cães, notadamente após o encerramento de suas carreiras como atletas;
- Por outro lado é possível encontrar estudos voltados a minimizar o potencial de lesões desses cães durante as corridas, através , por exemplo, de novos formatos de pistas;
- É um tipo de esporte espalhado pelo mundo, proibido em alguns Países, com expressão em outros, e, que movimenta uma quantidade desconhecida de recursos;
- Desperta sentimentos antagônicos sempre que são observados maus tratos com os animais envolvidos;
- A despeito da repercussão econômica, normas razoavelmente severas já tem sido aplicadas para os processos do entorno das corridas, notadamente nos aspectos relativos ao bem-estar dos cães;
- Ainda é possível identificar a necessidade de estimular àqueles que se importam com o bem-estar dos animais que colaborem na mitigação de atos do homem com relação aos animais.
Bibliografia consultada
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